7.5.08

João Luís B. Guimarães



Ano após ano em Dezembro a
árvore artificial
deixa o encerro da cave para ser
a luz no frio. É um pinheiro da china. Quem
se deitar a fazer contas ao ágio
dessoutro negócio
(vinte e quatro mil escudos: já
lá vão nove Invernos) a
coisa
está mais ou menos por
dois contos e tal
o natal. Mau grado à sua copa (inerte
e inodora) falte
o odor a caruma dos natais da minha infância
nela escudo a floresta que ficou por abater
todo um mundo de plástico que
me sobrevirá.


O espírito do natal retirado da Antologia de Vasco de Graça Moura, Natal…Natais – oito séculos de Poesia sobre o Natal, ed. Publico, Comunicação Social, SA
imagem:Salih Güler

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