3.1.09

Bernardo Pinto de Almeida



Já não sei o meu nome
Nem porquê
Me chamaram assim
De uma outra vez.

Ficava horas parado como em pedra
Como pedras muito lisas de cor cinza
Nomes lentos monótonos
Gravados
Sobre o ar da manhã
Sem dizer nada.

Um nevoeiro breve
Cobre as coisas
Dá-lhes fulgores de luz
Metalizada. Alguém passa
Na rua alguém que chama
Outro nome que o meu
Numa voz clara.

Já não sei o meu nome:
Ninguém chama.


Nome de hotel spleen, Quentzal editores
Imagem: Miriana

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