17.5.12

‘Vamos lá Então Perceber as Mulheres... Mas só um Bocadinho...’


Marta Gautier alia a psicologia ao humor e cria espetáculo, imperdível, sobre as mulheres.

SINOPSE

Mulheres. Porque choram e porque riem? Como se despem à frente umas das outras? Como são em adolescentes? E ser mãe, é assim uma alegria tão eufórica? E o que precisam fazer mais para os homens perceberem que não podem dizer frases como: «Relaxa querida.» ou «Já estás mais calma?»


Teatro Confluência em Cascais


Datas e Horário:
5, 20, 26 e 27 de Junho
4, 11, 18 e 25 de Julho
às 21h30

16.5.12

Al Berto




[...]


Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem posuir nada, sem um modo de vida.Caminha, assim, com a leveza, de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade.
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem. O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo é único, não se confunde com nenhum outro.
Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica. Afasta o espírito do que é surpéfluo e inutil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra.
O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas, os peixes e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. Vive ali, e canta - sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.


excerto de o aprendiz de viajante, O Anjo Mudo
Imagem: ankyshpanky

Guilherme Parente - Pintura

Técnica: Serigrafia
Dimensões: 50 x 70 cm
Data: 1997



9.5.12

Manuel Afonso Costa



o lodo das palavras
foi a primeira visão da catástrofe
embora seja tão antigo
como a vontade de deus
o clarão do lodo anunciava
as tempestades
e os próprios anjos iam a correr
esconder-se

quando a tua mão procura a minha mão
um clarão percorre o mar inteiro
e vê-se o mundo até à raiz da memoria.


De Os Últimos Lugares, Assirio&Alvim, 2004
Imagem: HazelanPhotography

Revista "Ilustração Portuguesa" (1903-1923)



Ilustrador António Soares



4.5.12

Susana Lemos - Pintura



Pintura de Susana Lemos


José Augusto Baptista



Este livro é dedicado a essas vagas luzes que
anunciam a alegria
e às vezes são alguém, um anjo, o caos, e no
meio do caos
o jovem doce tempo das tuas mãos.
És tu,
coração secreto à deriva pelos dias, o senhor do
meu canto.
Por ti cheguei e parto.
A minha casa é onde estás.



dedicatória de Biografia
Imagem:Claude Liehn

João Paramés - Pintura



Pintura de João Paramés

A ARTE da ILUSTRAÇÃO por André da Loba







Fernando Alves dos Santos




Novo é aquilo que o desejo diz
o texto que existe
no subterranêo das palavras
que se escrevem no espaço da sede.
Novo é o verbo que me encontra
e respira e não cessa
e regressa
seara orvalhada.
Novo é o tronco
que não demora a crescer
para os olhos do sol.
Novo é a seiva
que no tronco circula pertinaz.


Novo de Diário Flagrante, edição de Perfecto E. Cuadrado
Imagem: Martin Amm

2.5.12

A ARTE da AZULEJARIA por Ana Vilela

da coleção "A Voz das Fontes"


da Coleção: "A Alga que queria casar"



João Miguel Fenandes Jorge





2

O mar já não era para mim suficiente.
fazia-me falta um rio
um rio sob sombra das árvores.

É difícil a meio da música
suportar a luz do café.

Estávamos juntos
como vejo estar no palco
sob dois projectores.

Os olhos
as mãos
todo o corpo
era só o frio da noite.


de Poemas Escolhidos, O Roubador de Água (1981), Lisboa: Assírio & Alvim, 1982
Imagem: Selina De Maeyer

Antonieta Roque Gameiro


Antonieta Roque Gameiro
Escultura - terracota


cnap

Ricardo Gil Soeiro




meu amor,
esse rumor talvez seja um fogo a querer voar;
de costas para a escuridão, anoitecendo, a
              partida,
só me resta agora um horizonte para dar,
e é tudo

a feroz sombra do vento transparente,
esculpida em água e mordendo a solidão,
diz-me que no coração do dia tudo canta ainda
e um só grito bastaria
para coroar o sol húmido da primeira chuva
              inefável
onde a beleza se demora vagarosamente,
como se tivesse dado a beber o sublime até ao
              fim do alvorecer

digo amo-te
e tudo permanece enlaçado à pele do chão,
sangrando nos pulsos do silêncio

sem cessar olhando os fios das lágrimas,
espuma branca do adeus,
procuro mas não sei de que lado afluem
as inumeráveis harmonias do mundo
um dia confidenciar-me-ás o trilho de volta da
              morte

e eu de mão alada caminhando sobre as águas,
preso no intervalo da colina,
de tanto me doer a alegria do que resta,
segredo-te apenas um derradeiro abismo
e ensino-te como se dá a invenção do sopro


de «CALIGRAPHIA DO ESPANTO», IV A INVENÇÃO DO SOPRO, 2010: Edições Húmus, V. N. Famalicão
Imagem: Hans Jörgen Kötter

30.4.12

A ARTE da ILUSTRAÇÃO por Tiago Albuquerque


"Fado"


Natália Correia




Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.



de Rio de Nuvens, Antologia Poética
Imagem:  Selina De Maeyer