23.12.09

António Rebordão Navarro



Numa noite em que nasciam
crianças aos milhares
e outras morriam sem assistência médica
e outras morriam brincando com bombas
e outras morriam esmagadas
por fugitivos automóveis;
numa noite de Inverno,
numa noite de névoa
sobre os barcos sem equipagem junto ao rio;
numa noite de ruas desertas e casas fechadas
aos que andavam perdidos e sozinhos,
três poetas sentaram-se a uma mesa
e decretaram a paz e a alegria.

E decretaram a paz
para os que, cabelos soltos nas mãos das noites frias,
viviam na cidade onde agora estavam,
respiravam o mesmo ar
e liam as mesmas notícias dos jornais.
E decretaram a paz
para os que tinham
os olhos riscados pelos dedos do medo.

E decretaram a paz
para os que traziam
a angústia dos dias misturada no sangue.
E decretaram a alegria
para as crianças que estavam nascendo em todo o mundo.
E decretaram a alegria
para as jovens que sentiam os seios despontar.
e decretaram a alegria
para as mulheres que eram mães.
E decretaram a alegria
para todos os seres.

Foi então que Jesus Cristo
nascido há quase mil
novecentos e sessenta anos,
sorriu no céu que cobria a mesa
onde três poetas se tinham sentado
para decretar a paz e a alegria.




O Natal dos Poetas
Imagem: Christopher Azzopardi

4 comentários:

comboio turbulento disse...

Um Natal com a tranquilidade e o brilho das estrelas

Anónimo disse...

Muita Paz, m.m.


Um Sonho com muito açucar e canela mais ainda!

Abraço blue.

nadir disse...

Olá Kim
Desejo para ti tudo o que desejaste para mim e que o brilho das estrelas te acompanhe sempre, sempre.


um beijo

m.m.

nadir disse...

Bluínha

comi esse sonho e foi de todos os da minha vida, aquele que mais doce trouxe à minha alma.


grandes voos num arco-íris cheio de algodão doce.


m.m.