10.8.10

António Salvado



Tu que me lês,
gomo de fruta da ramagem espessa
que não me vê,
abraça-te comigo na quimera
de que valeu a pena madrugar,
sem vau atravessar florestas, pegos,
à busca de paisagens cruzar mares
na incerteza de um abrigo achar.

Serei feliz contigo
dentro de mesmo enlace d’ilusão:
as mãos presas às mãos
e os olhos quedos um no outro fixos.

Aventura sem fim, aonde iremos
nesse apertado e cálido prazer
a navegar sem bússola, sem remos,
velame a desfazer-se,
aonde iremos: eu que dei a letra
e tu que achaste a voz
a tudo aquilo que tão poucos
crêem
tornado apenas nosso.


Contentus paucis lectoribus de Àguas de Sono, Ed. Ulmeiro
Imagens: Daniele Manfredini

3 comentários:

comboio turbulento disse...

fantásticos poema e pintura. um execelente regresso para quem tem andado mais perdida do que eu :)

nadir disse...

Passe o tempo que passar tu és sempre gentil e carinhoso nas tuas palavras. Pois é verdade, eu tenho andado muito ausente e a vontade de regressar, ainda não é muito grande, confesso, no entanto vou fazer um esforço para vir até aqui mais amiúde.

um grande abraço para ti Kim

m.m.

Anónimo disse...

Adorei o poema.
J.R.