23.1.13

Graça Magalhães



Declaro-te
pássaro que me invade
como relâmpago
desarrumo oásis nos olhos
onde flutuam sais de fogo
como quem vê passar
um êxtase de silêncio
um traço de pele
unindo as mãos ao corpo
a boca ao interior dos lábios
o céu dentro de um vestido
flutuam indícios sobre o peito
desarma-se a tremura
nessa forma sublime
um rio
intensíssimo de bátegas
onde tudo acontece
fitas coloridas
medula ardente
o fascínio da pedra
onde se agita o fogo
num ponto de luz.



Esta é a neve maior e eu chamoA Geografia do Tempo, Palimage
Imagem: gravity circus by armene-d3d9xdo


2 comentários:

Jose Torres disse...

Dizem os entendidos que a poesia não se comenta.

Deixo-lhe uma "coisa" minha:

A IDADE DA LOBA

A tua idade burilada
repleta de encantos,
loba insaciada,
de pêlo eriçado,
mas dócil e gentil,
com pele transpirada.
E esse olor,
que corrói o meu íntimo,
quando tens o corpo molhado,
de suores exsudados,
por atingires o torpor,
num imenso tremor.
Loba madura,
segura de ti,
sabes que te vi,
que chamas a atenção.
Partes qualquer coração.
Mas sabes suster,
um homem de prazer,
fazê-lo gemer,
quiçá sofrer …
Caças e abocanhas
uma presa fácil.
Na tua idade,
carente e necessitada
aprendeste a cioba,
mas proba,
dum mundo qualquer.
Eu sei que és uma loba.
Mas também … mulher!

(xistosa - josé torres)

Nadir disse...

José Torres

A Idade da Loba…Assentou como uma luva!

Obrigada.

Margarida